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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Uma coisa muito estranha...

Hollow (a very strange thing), Novembro 2019

Este desenho tem 50X65cm, foi feito a partir da projecção de um outro, em tamanho A3, tendo sofrido alterações na forma que surge no garfo. 

O desenho original já era um tanto críptico, uma figura desenhada em (quase) outline azul equilibrava-se sobre os dentes do garfo sorrindo estranhamente. Aqui, essa figura foi substituída por uma espécie de massa informe encimada por uma cabeça humana (colagem pintada).

O significado do conjunto escapa-me por completo.

domingo, 1 de setembro de 2013

Pensar as coisas

Engendrando combinações possíveis.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pecados ligeiramente mortais

Há uns quantos anos atrás, andava eu entusiasmado com  a criação teatral, um crítico, o saudoso Manuel João Gomes (Deus o guarde em bom lugar), depois de assistir à estreia da peça da minha autoria, "Quantos dias faltam para que ontem faça parte do futuro", disse a alguém, que depois me contou, que não percebia se eu era comunista ou fascista.

eu e o Julião a observar o "Principezinho"

Ontem, enquanto montávamos esta singela exposição, intitulada "Pecados ligeiramente mortais", o Dear Zé (ali na foto comigo) ironizava com a minha possível veia católica, ou coisa que o valha.


Já não sou nenhum adolescente, caraças, e, no entanto, as coisas que exponho continuam a deixar uma imagem difusa de mim próprio. Penso que isso se deve ao facto de considerar que os objectos que produzo (que produzimos) são diferentes daquilo que sou (que somos), embora, por vezes, possamos ser confundidos uns com os outros, os homens com os objectos que criam. E vice-versa.

eu e o Ivo a montar a exposição

No fundo, no fundo, pensando um pouco sobre o assunto, concluo que não passo de um provocador. Se há coisa que temo é que o resultado do meu trabalho possa deixar os espectadores (os observadores) indiferentes. Por isso, quando crio uma imagem, tento fazer com que seja algo parecido com uma pedrada, um grito nos ouvidos ou então, mais suavemente, que seja um momento de suspensão e comunhão entre quem vê e aquilo que é visto.

o Julião, o Miranda e a minha careca em plena actividade

 Tenho por verdadeiro que os objectos não existem a menos que sejam vistos. Uma coisa pode estar ali e, caso não seja olhada, é como se não estivesse. Existe, não existindo. Mas, quando o observador se apercebe do objecto e o olha, então o contacto tem de ser efectivo, violento, de preferência. A coisa tem de mexer com o ser humano, caso contrário não merece ser coisa, arrisca-se a não ser quase nada.

o Zé Luís, o Julião (de copo em riste) e a Paula Rosa em pleno esforço de montagem

"Pecados ligeiramente mortais" é um conjunto de 13 trabalhos recentes (10 colagens em photoshop e 3 pinturas-colagens). Estão ali, na Parede, para serem vistos e pretendem interpelar o observador. Os títulos sugerem sentidos de leitura mas, o verdadeiro significado de cada um daqueles objectos está dentro de quem os observa.

"Olha-me este idiota" uma das peças expostas
É só isso.

As fotos são do Paulo Nunes, um cidadão exemplar, e as molduras emprestou-mas o Zé Julião, outro cidadão que ultrapassa largamente a exemplaridade.

domingo, 14 de agosto de 2011

O equívoco

O principal problema que nos é oferecido pelo legado de Duchamp é que um imbecil que olhe o A Fonte irá dali construir um monumento à sua própria imbecilidade. Pouco mais verá que um objecto no qual se deveria mijar mas que deixou de cumprir o seu desígnio industrial. Essa constatação poderá fazê-lo sorrir, mas esse sorriso será sempre um sorriso imbecil o que o conduzirá perigosamente à beira de um riso alarve, eco maior do silêncio absoluto em que cai, neste género de situações, a inteligência humana.

Duchamp foi um inventor, um cientista da arte, alguém que conduziu dellicadas experiências estéticas, uma espécie de Doutor Frankenstein a explorar as possibilidades de construir um corpo plástico potencialmente belo a partir da aglomeração de objectos declaradamente destituídos de beleza. Perante as suas criações artísticas, o observador vê-se confrontado com a tentação de encontrar uma solução para probemas onde as soluções não existem.

Cada tentativa de encontrar uma resposta plausível para um objecto "duchampeano" não consegue mais do que abrir um buraco. Mais um buraquinho apenas. Nada mais do que um buraco. E cada um destes buracos pode (ou não) estender-se num pequeno túnel exploratório. O observador desavisado mais não é que uma toupeira em busca de uma saída para a luz. E todos sabemos o que acontece aos olhos da toupeira quando contacta directamente a luz do sol.