

Ainda não ouvi vozes a pedirem a morte do Coelhinho da Páscoa, esse estranho mamífero associado a ovos coloridos não se percebe muito bem como e muito menos porquê. A Páscoa deveria ser um período de reflexão sobre os mistérios da existência humana e das potencialidades divinas que se escondem nas profundezas de cada um de nós. Mas parece que, também essa dimensão transcendente da época pascal, se está a perder nas sombras pagãs do nosso quotidiano delirante.
Não haverá festividade religiosa que não seja infectada pelo vírus do paganismo? Ou será que, pelo contrário, são essas festividades que se vêm sobrepor a outras religiosidades, nada cristãs, nadinha católicas?
"Ei, King, toma lá. Curte este meu coração, man!"
"Vá lá, Bunny, deixa lá estar essa coisa. Que nojo!"
"Então man, não aceitas esta oferenda. Olha que é uma cena sentida! Podes crer!"
"Deixa-me em paz, Bunny, passo bem sem as tuas oferendas."
"Não sejas fatela King."
"Não sejas fatela King."
"Vai-te esconder coelhinho, vai lá para a tua toca."
Easter Bunny meets The King, acrílico sobre papel e colagens, 50X65cm, Páscoa de 2005
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